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terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Amizade

Ler ouvindo.

Com pouco esforço ainda sinto meus lábios sensíveis pelos beijos quase carnívoros que tivemos. Com gosto de cerveja, com gosto de cigarro, com a textura da sua barba macia. Qualquer imaginação depois dessa a vergonha me impossibilita de descrever. É uma vergonha safada, uma das piores que considero existir entre duas pessoas. Vergonha que não tem endereço fixo e fica, ora nas conversas polidas e cheias de cuidado, ora entre minutos breves de euforia representados pelos abraços apertados, pelas mãos contidas tentando sentir algum centímetro de pele. Com você a bipolaridade alcança níveis alarmantes, chega à beira da loucura. Mediante tanto conhecimento desconhecido um do outro, acabo optando pela perda. Perda da contínua incerteza, perda das possibilidades. Com você me sinto em alerta em cada palavra, em cada idéia, em cada tudo. Não consigo falar em primeira pessoa, não consigo te enxergar de forma pessoal. Ainda tenho dúvidas cruéis sobre quem é você, o que você quer, até onde posso ser de verdade com você. Isso tudo porque as informações que vim guardando de você são borrões, que se juntaram formando algo que talvez fosse melhor não existir. Estar com você me trava tanto que passei a ter vergonha de escrever pra mim mesma. Por isso me distancio, me calo, me torno um ser sem surpresas, entediante. Escolho a amizade sem as expectativas desse caminho esquizo.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Incômodo

Muitas coisas me incomodam. Muitas mesmo. Pessoas que falam perto demais, acordar porque desligaram o ventilador, perguntas óbvias em situações inapropriadas. Enfim, muitas coisas que não deveriam me incomodar acabam estragando meu dia. E uma em especial me tira do sério. Bom, todo mundo tem algum problema, considerando questões banais e questões mais sérias. Mas muitas vezes uma interpretação parcial, carregada de comparações - os meus problemas e os do outro - fazem um diagnóstico superficial, portanto pré conceituoso. E isso me irrita profundamente. Me provoca ira quando meus problemas passam por um olhar simplista, colocando todas as minhas questões num patamar bobo. Como disse todo mundo tem problemas, seja como conseguir dinheiro pra comprar alguma coisa inútil - ou não tão necessária - até qual será a real solução econômica para os países pobres e, claro, questões pessoais como 'quem sou eu?'. Cada problema tem sua relevância, e ele não perde nem ganha peso quando não é meu. Me provoca histeria quando sou subestimada, quando sou posta num nicho pobre. No emaranhado de pensamentos, bons ou não, meus problemas me limitam, da mesma forma que limita outra pessoa. Então porque teria o direito de julgar como 'fácil', 'médio' ou 'difícil' as questões alheias? E ainda por cima fazer analogias distantes de uma interpretação mais distante ainda? Isso definitivamente me incomoda!

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Y

ler ouvindo

Depois que ele me abraçou e beijou com um carinho triste, falou 'Se cuida' e foi embora senti como se perdesse alguma coisa naquele momento. Não sei descrever o que exatamente. Basta dizer que depois desse segundo de despedida irreversível o sofrimento da perda foi o suficiente pra me engolir. Culpei minha fase apática. Mas isso não representa nada além de uma desculpa fraca. A euforia não foi suficiente dessa vez. O carinho nasceu e cresceu, isso é a única coisa que me alenta quando lembro de você, tão perto e tão longe. Saudade possível de se matar talvez não exista mais. Saudade de dias bonitos e da noite de ciranda são impossíveis de matar. Você vive em notas de samba, em dias de luta, em ideias produtivas, em novos valores.

sábado, 9 de outubro de 2010

queria, mas.

Queria dizer algo.

Mas não tenho vontade.

Queria que as coisas se resolvessem por elas mesmas.

Mas elas dependem, em parte, de mim.

Queria não sentir saudade.

Mas ela insiste num convívio.

Queria não sentir angústia.

Mas tenho medo.

Queria acreditar que minhas dúvidas não geram medo.

Mas minhas resenhas utópicas não dão em nada.

Queria dormir.

Mas falta dizer algo.

Queria ter vontade de dizer algo.

Mas o sono me desnorteia.

Queria estar aí.

Mas a vontade é efêmera.

Queria muita coisa.

Mas já acabou.

Boa noite.

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

saudade não é mais o nome do que sinto.
a cidade, a faculdade, o samba, a cerveja, o tranquilizante.
tudo perdeu o brilho, o sabor, a textura, a loucura.
me contentaria com pouco se fosse em doses homeopáticas.

me perdi de mim.
outra vez.