terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Amizade

Ler ouvindo.

Com pouco esforço ainda sinto meus lábios sensíveis pelos beijos quase carnívoros que tivemos. Com gosto de cerveja, com gosto de cigarro, com a textura da sua barba macia. Qualquer imaginação depois dessa a vergonha me impossibilita de descrever. É uma vergonha safada, uma das piores que considero existir entre duas pessoas. Vergonha que não tem endereço fixo e fica, ora nas conversas polidas e cheias de cuidado, ora entre minutos breves de euforia representados pelos abraços apertados, pelas mãos contidas tentando sentir algum centímetro de pele. Com você a bipolaridade alcança níveis alarmantes, chega à beira da loucura. Mediante tanto conhecimento desconhecido um do outro, acabo optando pela perda. Perda da contínua incerteza, perda das possibilidades. Com você me sinto em alerta em cada palavra, em cada idéia, em cada tudo. Não consigo falar em primeira pessoa, não consigo te enxergar de forma pessoal. Ainda tenho dúvidas cruéis sobre quem é você, o que você quer, até onde posso ser de verdade com você. Isso tudo porque as informações que vim guardando de você são borrões, que se juntaram formando algo que talvez fosse melhor não existir. Estar com você me trava tanto que passei a ter vergonha de escrever pra mim mesma. Por isso me distancio, me calo, me torno um ser sem surpresas, entediante. Escolho a amizade sem as expectativas desse caminho esquizo.

domingo, 24 de julho de 2011

Indiferente?

Desde que acordei não sinto o sangue circular no meu rosto. Meu estômago parece adaptado a ficar vazio e a não gritar por comida. Não suporto as músicas que ouvia. Tenho vontade de queimar a televisão. Não quero ficar sentada. Cansei de ficar deitada. Fico tonta quando fico em pé. Não enxergo bem no escuro. A luz me irrita. Respirar é cansativo. Sobrevivo pelos segundos que meus olhos se perdem em algum ponto desfocado do espaço enquanto fico pensando na textura no lençol, no barulho do jornal no quarto, no cheiro dos pulmões. Mas volto a viver na dor quando foco na guerra que travei entre minha memória e meu comportamento repudiado. Afogando meu peito numa agonia que chega a dar vertigem de morte. Congela meu corpo, sobrando para os olhos expulsar toda a tempestade na forma de lágrimas. Sim, não, indiferente. Se rio, se choro, se beijo, se sei, se conheço, se quero. Sim, não, indiferente.

domingo, 29 de maio de 2011

Foi

ler ouvindo

Ainda consigo sentir o desespero, a angústia enlouquecedora que expulsa o ar e comprime meu peito. O frio, as mãos geladas, a TV ligada com o mesmo programa de cinco anos atrás. Cada grito deixa meu ritmo interno cada vez mais tonal. Os olhos molhados de tristeza. O vazio deixado na cama parece ainda deixar lembranças do domingo que fomos desconectados bruscamente.
Dois, três, cinco anos se passaram e meu corpo ainda guarda manchas, ainda existe a faísca que torna uma paixão latente. Não existe saudade, não existe desejo, não existe pranto.
Existe nostalgia do que fui.

sábado, 15 de janeiro de 2011

Mário

Amar:

Fechei os olhos para não te ver
e a minha boca para não dizer...
E dos meus olhos fechados desceram lágrimas que não enxuguei,
e da minha boca fechada nasceram sussurros
e palavras mudas que te dediquei...

O amor é quando a gente mora um no outro.

Mário Quintana
E teve um dia que eu não acreditei, por temer a dependência, sem saber que existe um ajusto.

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

Sexta!

Porque hoje é sexta, está uma chuvinha safada lá fora, a cólica prende dentro de casa, dinheiro para passar o fim de semana num paraíso pago está minguado e companhia disponível e que ainda faça esquecer o q é mau humor está difícil!


domingo, 2 de janeiro de 2011

Apenas pq achei bonitinho


Esse ano percebi que as coisas não mudam pq um dia acaba e o outro começa, e assim o ultimo algarismo do ano muda. Não que com isso eu pretenda ser pessimista, muito menos negativa, só pretendo começar um ano novo particular!
: )